Restaurações
e cáries
Tratamento de cáries e reconstrução de dentes fraturados ou desgastados. O exame define a extensão da lesão e o material adequado para restaurar o dente.

Imagem ilustrativa · Foto: Tima Miroshnichenko / Pexels
O que é a cárie, de verdade
A cárie não é um buraco que aparece: é um processo. Bactérias do biofilme metabolizam açúcares e produzem ácido; o ácido dissolve mineral do esmalte; a saliva devolve mineral. Enquanto os dois lados se equilibram, nada acontece. Quando a desmineralização vence de forma repetida, a estrutura colapsa e surge a cavidade.
Isso tem uma consequência prática importante: a frequência com que você consome açúcar pesa mais do que a quantidade. Um doce inteiro de uma vez agride menos do que o mesmo doce consumido em seis momentos ao longo do dia.
Por que tratar cedo custa menos
Uma mancha branca inicial pode ser revertida com flúor e mudança de hábito, sem broca. Uma cavidade pequena exige uma restauração simples. Uma cavidade profunda pode exigir tratamento de canal e coroa. Uma cárie negligenciada leva à perda do dente e à necessidade de implante.
É a mesma doença nos quatro estágios — e a diferença de custo entre o primeiro e o último é de duas ordens de grandeza. Por isso insistimos tanto nas consultas de manutenção: elas existem para encontrar o problema no estágio em que ele ainda é barato.
Resina estratificada
O dente natural não tem uma cor só. O esmalte é translúcido; a dentina, opaca e mais saturada. Uma restauração feita com uma única massa de resina reproduz a cor média e, por isso, é identificável — fica "chapada" ao lado do dente vivo.
A técnica estratificada aplica camadas de resinas com opacidades diferentes, imitando a estrutura interna do dente. Depois vem o acabamento: reprodução do relevo da superfície e polimento, que é o que devolve o brilho e o que retarda o manchamento das bordas.
O objetivo não é que a restauração pareça boa: é que ela não seja identificável. Em dentes anteriores, a seleção de cor é feita antes do isolamento, com o dente ainda hidratado — dente seco fica mais claro, e escolher a cor depois é o erro que produz restaurações visíveis.
Etapas do tratamento
- Diagnóstico. Exame clínico e radiografias interproximais, que revelam cáries entre os dentes, invisíveis a olho nu.
- Seleção de cor, com o dente hidratado e sob luz adequada.
- Anestesia e isolamento, conforme a profundidade da lesão.
- Remoção do tecido cariado, preservando o máximo de estrutura sadia.
- Estratificação. Aplicação das camadas de resina e fotopolimerização de cada uma.
- Ajuste e polimento. Conferência da mordida, acabamento do relevo e polimento final.
Quando a resina não basta
Restauração em resina tem limite. Em dentes posteriores que perderam grande parte da estrutura, especialmente após tratamento de canal, uma restauração muito extensa fratura sob a carga da mastigação — e leva o dente junto.
Nesses casos a indicação é uma peça cerâmica confeccionada em laboratório: inlay, onlay ou coroa, conforme a quantidade de estrutura remanescente. O custo inicial é maior, e a durabilidade também. Essa comparação é apresentada a você na avaliação, com as duas opções por escrito.
Perguntas frequentes sobre restaurações e cáries
Depende muito mais de você do que do material: higiene, frequência de açúcar, bruxismo e a extensão da restauração. Restaurações pequenas e bem higienizadas duram muitos anos; restaurações extensas em quem range os dentes têm vida útil menor.
Não por serem de amálgama. A troca se justifica quando há fratura, infiltração, cárie recorrente ou quando a restauração está mal adaptada. Substituir uma restauração íntegra apenas por estética significa remover estrutura sadia — e isso é informado antes de qualquer decisão.
Lesões superficiais podem ser tratadas sem anestesia. Cáries profundas, próximas à polpa, são anestesiadas. Sensibilidade ao frio por alguns dias após uma restauração profunda é comum e tende a diminuir.
Não a olho nu, e é justamente por isso que fazemos radiografias interproximais periódicas. Cáries interproximais costumam ser descobertas nesse exame, em um estágio em que a restauração ainda é pequena.
Pode ser cárie inicial, mas também retração gengival com raiz exposta, trinca no esmalte, desgaste por bruxismo ou erosão ácida. Cada uma tem tratamento diferente, e a distinção é feita no exame clínico.
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