Periodontia

Tratamento
de gengiva

Avaliação de sangramento, retração gengival e mobilidade dos dentes. A periodontia cuida da gengiva e do osso de suporte, com tratamento e manutenção conforme o diagnóstico.

Avaliação da boca com espelho e instrumento odontológico

Imagem ilustrativa · Foto: Cedric Fauntleroy / Pexels

Sinais
Sangramento, retração e mobilidade
Tratamento
Raspagem, enxerto e cirurgia
Manutenção
A cada 3 a 6 meses
Pré-requisito
Para implante e ortodontia

Gengivite e periodontite

O dente não está cravado no osso: ele é sustentado por um conjunto de tecidos — gengiva, ligamento e osso alveolar. A doença periodontal é a inflamação desse conjunto, causada pelo acúmulo de biofilme bacteriano na margem da gengiva e abaixo dela.

Na gengivite, a inflamação atinge só a gengiva. É reversível: tratada, o tecido volta ao normal sem sequela. Na periodontite, a inflamação já destruiu osso de suporte, e essa perda não se recupera espontaneamente. O tratamento estabiliza a doença e impede que ela avance, mas o osso perdido não volta sozinho.

Essa é a razão de tratar cedo: a diferença entre as duas fases é a diferença entre um problema reversível e um dano permanente.

Os sinais que você pode notar

  • Sangramento ao escovar ou ao passar o fio — o sinal mais precoce e o mais ignorado
  • Gengiva vermelha, inchada ou sensível
  • Mau hálito persistente, que não melhora com enxaguante
  • Retração: o dente parece mais longo, e a raiz fica exposta
  • Sensibilidade ao frio na região da raiz exposta
  • Mobilidade, mudança na posição dos dentes ou espaços que se abrem

Mobilidade e mudança de posição já são sinais tardios. Quando eles aparecem, boa parte do suporte ósseo foi perdida — e o tratamento passa a ter como meta manter o que restou.

O que aumenta o risco

O biofilme é a causa, mas nem todo mundo responde a ele da mesma forma. Alguns fatores aumentam de forma significativa a velocidade da destruição:

  • Tabagismo. É o fator de risco isolado mais importante, e ainda mascara o sangramento, atrasando o diagnóstico.
  • Diabetes descompensado. A relação é nos dois sentidos: a doença periodontal também dificulta o controle glicêmico.
  • Predisposição genética e histórico familiar de perda dentária precoce.
  • Estresse, bruxismo e alterações hormonais, como as da gestação.
  • Restaurações mal adaptadas e dentes apinhados, que criam áreas de difícil higiene.
Pré-requisito

Não instalamos implantes nem iniciamos ortodontia sobre doença periodontal ativa. Mover dentes ou colocar implantes em um terreno inflamado acelera a perda óssea — e compromete o trabalho que você acabou de pagar.

Como tratamos

  1. Exame periodontal. Sondagem de cada dente, registro da profundidade das bolsas, do sangramento e da retração, com radiografias para medir o osso remanescente.
  2. Raspagem e alisamento radicular. Remoção do biofilme e do cálculo acima e abaixo da gengiva, sob anestesia quando necessário.
  3. Orientação de higiene. Técnica de escovação, escolha da escova interdental correta e uso do fio — a parte do tratamento que fica com você.
  4. Reavaliação. Nova sondagem semanas depois, para medir a resposta e decidir se há indicação cirúrgica.
  5. Cirurgia periodontal, quando as bolsas profundas persistem, para dar acesso à limpeza e recontornar o tecido.
  6. Manutenção periodontal. A cada três a seis meses, pelo tempo que for necessário.

Retração gengival e enxerto

A retração expõe a raiz, causa sensibilidade e, na região anterior, incomoda esteticamente. Nem toda retração é da doença periodontal: escovação traumática, freio muscular mal posicionado e dentes fora do osso também provocam recessão.

Quando há indicação, o enxerto de tecido conjuntivo recobre a raiz exposta e devolve espessura à gengiva. É um procedimento cirúrgico com anestesia local, e o resultado depende da causa ter sido removida antes — caso contrário, a retração retorna.

Também ajustamos o contorno gengival em casos estéticos, como o sorriso gengival, sempre em conjunto com o planejamento de restaurações estéticas quando elas fazem parte do caso.

Perguntas frequentes sobre tratamento de gengiva

Não. Gengiva saudável não sangra, nem com o fio dental. O sangramento é sinal de inflamação e é o primeiro aviso da doença periodontal. Parar de escovar a região que sangra, que é a reação instintiva, piora exatamente o que causou o sangramento.

A raspagem supragengival costuma ser bem tolerada sem anestesia. Quando há bolsas profundas e é preciso trabalhar abaixo da gengiva, o procedimento é feito com anestesia local, por quadrante. A sensibilidade ao frio nos dias seguintes é comum e temporária.

Em geral não espontaneamente. Em defeitos ósseos de formato favorável existem técnicas regenerativas que podem recuperar parte do suporte, mas a expectativa realista do tratamento periodontal é estabilizar a doença e preservar o que restou.

Tem controle, não cura definitiva. Uma vez que houve perda de suporte, a pessoa passa a ser um paciente de manutenção: o intervalo entre as consultas de controle é o que mantém a doença inativa. Abandonar a manutenção é a causa mais comum de recidiva.

A literatura mostra associação entre doença periodontal e condições como diabetes, doença cardiovascular e complicações na gestação. Não se trata de relação de causa única, mas o controle da inflamação na boca faz parte do cuidado geral de saúde.

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